
PUBLICIDADE É COISA DE MACHO.
mas até quando?
Se você já viu essa frase em algum lugar, sua reação provavelmente foi ter entortado a boca e feito uma cara de nojinho (como aconteceu comigo) perante tamanha baboseira.
Infelizmente essa baboseira existe basicamente desde que a arte da publicidade foi inventada e se tornou profissão.
A opressão não acontece somente dentro das agências, aonde há salários desiguais, desvalorização moral, assédios e até brincadeirinhas de muito mal gosto que as mulheres só se sujeitam a participar para preservar seus empregos e sobreviver dentro da agência. Ok. Isso é gravíssimo, sem contar que mesmo correspondendo à praticamente 50% do volume humano dentro das agências, as mulheres muito raramente ocupam cargos mais altos – como as diretorias – ou mais expressivos – como a Criação – mesmo sendo consideradas muito melhores que os homens para trabalhar em equipe. Se por algum acaso do destino as mulheres vem a ocupar essas vagas, elas nunca conseguem se desvencilhar da pior parte de tudo isso: o estigma das propagandas machistas. Elas estão por toda parte, principalmente em publicidades de cerveja, mas pasmem, estão até em publicidades dirigidas especificamente para mulheres é possível reconhecer claramente o machismo!
A insatisfação brasileira com a publicidade machista tem crescido no Brasil e em resposta à isso, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) se limitou a dizer apenas:
“Não existem muitos casos de propagandas machistas no Brasil porque a publicidade brasileira é madura para perceber que a pior coisa que pode fazer é irritar o consumidor, seja ele mulher, homem ou criança. De qualquer forma, nós não temos uma declaração oficial a respeito desse assunto”
Estranho? Talvez. É pelo menos bastante contraditório que em um país onde mais da metade da população feminina não se sente à vontade com a publicidade e sua transpiração machista, o órgão que regula a mesma publicidade diga que o machismo não é muito comum por aqui.
De frente com essa situação super desconfortável, restam duas opções: a conformação (que na nossa opinião não é muito interessante) e o primeiro passo para a mudança, que pode ser comprar uma Cerveja Feminista nem que seja só para aderir a causa, ou simplesmente conversar com seus amigos sobre isso, colocar o assunto em pauta, desmistificar, sabe? E se você for um publicitário, seja legal com suas colegas de trabalho (pense na sua mãe quando quiser zoar com elas!), afinal elas são tão boas quanto você... Ou até melhores, vai saber!
E se você for mulher, publicitária ou não, lembre-se sempre: nunca desista, lute pela sua profissão, pelo que você acredita e principalmente por você!

